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Apresentação Edição Especial SIPLE Imprimir E-mail
Escrito por Rosane de Sá Amado (Organizadora), Fidel Armando Cañas Chávez (Editor) e José Carlos Paes de Almeida Filho (Editor-chefe)   

A revista SIPLE, pioneira no trabalho de difusão de produção científica e acadêmica na área de PLE, apresenta mais uma peça fundamental que contribuirá a calçar o infindo chão de reflexões teórico-metodológicas sobre o português como língua estrangeira em diversos contextos de ensino, no Brasil e fora das suas fronteiras.

Nesta edição, convidamos a professora Rosane de Sá Amado, da Universidade de São Paulo, para organizar um volume especial sobre o ensino de português para migrantes em situação de refúgio. A nomenclatura e a especificidade fazem-se necessárias, conforme veremos nos artigos a seguir, e esse fenômeno social nos impulsiona a questionar e (re) pensar sobre mais uma faceta do complexo tecido que configura o ensinar e o aprender línguas, a princípio, tidas como estrangeiras.

O presente volume começa com a produção deAmaral, que apresenta uma proposta do ensino de português para migrantes em situação de refúgio, denominando-a língua de acolhimento, que afirma um olhar mais humanizador na hora do processo de ensino e aprendizagem de línguas, baseando-se em uma experiência de um curso ofertado pelo Núcleo de Ensino e Pesquisa em Português para Estrangeiros da Universidade de Brasília (NEPPE-UnB). A produção de Cestari e Grilo, traz relatos das professoras e suas experiências em sala de aula para imigrantes e refugiados no curso de português ofertado pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que servem à reflexão sobre o imaginário relativo ao processo de ensino-aprendizagem do português, e seu papel como língua de acolhimento para a integração social. O artigo discute a formação dos docentes para esse curso específico e busca trazer contribuições para a continuidade dessa política pública.

No terceiro texto, Lopes e Diniz traçam um panorama dos principais marcos na legislação brasileira concernentes aos deslocados forçados. Os autores traçam um panorama dos principais marcos na legislação brasileira concernentes a esse grupo e elencam iniciativas de diferentes instituições de ensino superior referentes à especialidade que tem sido denominada Português como Língua de Acolhimentoe a outras ações de ensino, pesquisa e extensão. Em seguida, Pereira se propõe a discutir um dos problemas que se apresentam no ensino do Português como Língua de Acolhimento, que é o desconhecimento dos professores, voluntários de diversas Organizações Não Governamentais, das abordagens e metodologias para o ensino da língua nesse contexto específico.

O(a) leitor(a) também conta com o trabalho de Rizental, que problematiza a designação Língua de Acolhimento, e propõe reflexões sobre os dizeres que produzem efeitos de sentidos sobre os imigrantes refugiados na relação com a língua dita como um dos elementos atuantes no processo de integração deste estrangeiro na sociedade do país que o acolhe, neste caso o Brasil. O trabalho de Silva e Amado parte do princípio de que há uma forte relação entre a aprendizagem de uma nova língua e as questões identitárias no processo de acolhimento. Na pesquisa, observaram a complexidade das identidades brasileiras reveladas por meio de choques culturais e da diversidade cultural e linguística do país produzidas nos aprendizes de português, estudantes em universidades públicas brasileiras. Finalmente, Souza discute e traz reflexões sobre a sua participação na estruturação do curso de Português Língua de Acolhimento no Centro Zamni, em  Belo Horizonte – MG, e compartilha os desafios do percurso.

Nas produções científicas que o leitor está prestes a ler, encontrará como comum denominador a palavra ‘acolhimento’. Neste contexto social, não há palavra que seja mais precisa e necessária frente aos massivos deslocamentos migratórios que o mundo está vivenciando. Enquanto alguns oferecem forças armadas, contenção e violência, a Revista SIPLE lança uma visão acolhedora, refletindo sobre um fenômeno que nunca deixará de existir, e oferece um olhar teoricamente fundamentado sobre a acolhida dos migrantes em situação de refúgio para se integrar à sociedade brasileira, pensando no primeiro recurso simbólico de interação e troca de sentidos: a língua.

Em nome da coordenação científica da revista SIPLE, agradecemos profundamente à professora Rosane Amado por esta valiosa contribuição que nos direciona a um olhar mais humano da nossa missão do ensino de português para falantes de outras línguas.

#somostodosmigrantes

 

Rosane de Sá Amado
Organizadora

Fidel Armando Cañas Chávez
Editor

José Carlos Paes de Almeida Filho
Editor-chefe

 

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