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Apresentação desta Edição Especial Imprimir E-mail
Escrito por José Carlos Paes de Almeida Filho e Fidel Armando Cañas   

Em outubro de 2013 a Sociedade Internacional para o Ensino de PLE, a SIPLE, realizou seu evento internacional em Salvador da Bahia e uma das mesas, justamente a de abertura, tratou do tema de políticas para o Ensino do Português para estrangeiros. Foi nessa ocasião que brotou a ideia de reunir artigos para um número especial da Revista SIPLE. É dessa tarefa que tratamos neste volume, depois de longo tempo para reunir autores, textos e revisores. A preparação de um número especial com produção em boa medida induzida não é empreendimento ligeiro, mas neste momento o apresentamos com grande alegria aos leitores e associados da Sociedade.

Este volume especial abre com reflexões situadoras, vistas do alto, organizadoras, de Almeida Filho, o mesmo coordenador da mesa inspiradora deste número especial. O autor situa teoricamente o lugar em que se inserem as políticas linguísticas no âmbito da Linguística Aplicada. O autor já escrevera em 2001 sobre essa questão que parece experimentar um revival nos últimos anos, colocando-se firmemente no escopo de diversos linguistas aplicados do Brasil e além-fronteiras. Assim, Almeida Filho reflete sobre políticas, vinculando-a à história com a qual trava um diálogo fertilíssimo e entendendo-a como ações desencadeadas segundo um plano e ideário, e que pode ser explicita ou implicitamente concebida.

Quando implícita, afirma o autor, só pode ser reconhecível pela natureza dos fatos que gera e a sua desvantagem reside na ausência de ações esperadas, na presença errática ou esporádica de ideias concretizadas. Se explícita, uma política tem agenda, plano de desembolso e metas cobráveis pelo corpo profissional e pela sociedade.

Desse modo, salienta Almeida Filho, uma verdadeira política para o ensino de línguas nos franquearia um arrazoado de justificativas educacionais, culturais, psicológicas, linguísticas e práticas nos currículos escolares, universitários e formativos dos professores de idiomas, além de levantar os critérios com os quais definir quantas, quais línguas e quando poderiam preencher a disciplina Língua Estrangeira.

O presente número especial conta com o artigo de Leurquin e Celedônio, que tem por objetivo apresentar a trajetória da implementação de Português como Língua Estrangeira (PLE) na Universidade Federal do Ceará (UFC). O processo de implantação de que já tratamos neste Revista em número anterior, é um caso de política de ensino do PLE. Para isso, as autoras abordam as iniciativas feitas e os desafios encontrados ao longo das três últimas décadas. Concluem que é preciso um investimento político da própria instituição e a regulamentação das ações profissionais.

Malaguti, por outro lado, nos brinda um texto que versa sobre os fenômenos do bilinguismo, multiliguismo ou multiculturalidade em relação aos resultados atuais das pesquisas científicas. O ensino de línguas no mundo combina com a maioria de países que partilham contextos de bilinguismo ou multilinguismo. De acordo com esse estudo, o fenômeno do bilinguismo é visto, portanto, como natural, enquanto o monolinguismo é a exceção. A autora analisa a situação e desafios políticos de introdução e desenvolvimento da Língua Portuguesa aprendida no exterior .

No contexto europeu, Pinto afirma que a política portuguesa de PLE resulta da democratização e da adesão à União Europeia. De acordo com a constituição da nação lusa, essa política é composta por três áreas tuteladas pelo Instituto Camões (ICL). Com a integração europeia, todo o ensino de línguas da iniciativa do estado português ficou regido por um único documento europeu. O autor analisa especificamente no artigo as implicações dessa decisão.

De Portugal vamos à China, e de lá Jatobá apresenta um panoramada situação do ensino de línguas estrangeiras (LEs) naquele país gigante da Ásia e examina algumas das políticas linguísticas adotadas no país nos últimos anos. O autor faz um breve histórico do ensino de línguas estrangeiras na China desde 1911 e, em seguida, examina como o ensino de línguas é adotado nos ensinos primário, secundário e terciário. Logo, analisa a Língua Portuguesa ao nível da graduação na China bem como o crescimento do mercado para falantes de LP para, por fim, analisar e refletir como as LEs e o acesso ao ensino dessas LEs têm sido tratadas nas políticas linguísticas dirigidas ao Ensino de Línguas e na política externa adotada pela China.

Vidotti traz uma resenha importante do livro Política linguística e ensino de língua, de Djane Correa. Livros e artigos sobre políticas de Ensino de Línguas não são comuns em nosso cenário, daí o interesse pelo título recente.A autora da publicação afirma que a coletânea trata de temas relevantes no ensino de línguas na dimensão multilíngue e multicultural, da língua e sua função social, pedagogia da escola pública, conteúdos para a formação inicial e continuada, discursos hegemônicos de língua, implicações políticas de ser professor, atos de fala na educação e recursos sociolinguísticos, e destaca a discussão da dimensão política nas questões de língua em ambientes multiculturais e sociolinguisticamente complexos, a globalização como reivindicadora de ajustes e deslocamentos do olhar, além da urgência da visão de língua heterogênea.

Esperamos que as reflexões aqui contidas possam contribuir na construção do edifício teórico de ideias que deem suporte a práticas renovadoras e que fortaleçam o campo do Ensino de Línguas (e de PLE) integrante da macro-área de Linguística Aplicada. Boa leitura e boas ideias aos nossos leitores, associados e apoiadores.

 

José Carlos Paes de Almeida Filho
Editor-chefe da Revista SIPLE

Fidel Armando Cañas
Editor Executivo da Revista SIPLE

 

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