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Por uma Política de Implementação de Português Língua Estrangeira na Universidade Federal do Ceará Imprimir E-mail
Escrito por Eulália Vera Lúcia Fraga LEURQUIN - Meire CELEDONIO   

Resumo

Este artigo tem por objetivo apresentar a trajetória da implementação de portuguesa língua estrangeira (PLE) na Universidade Federal do Ceará (UFC). Para isso, tratamos das iniciativas feitas e dos desafios encontrados ao longo das três últimas décadas. Os dados foram coletados em entrevistas realizadas e em questionários aplicados durante os semestres 2013-2 e 2014-1, na referida instituição. Mas também foi fundamental a pesquisa bibliográfica e documental para recuperar essa trajetória. Observamos que vêm acontecendo tentativas, há décadas, de ofertar PLE na UFC. Todavia, é preciso um investimento político da própria instituição e a regulamentação das ações professorais.

Palavras-chave: pesquisa, ensino e aprendizagem, Português língua estrangeira.

Português Língua Estrangeira na Universidade Federal do Ceará: por caminhos antes trilhados?

O ensino e a aprendizagem de Português Língua Estrangeira (doravante, PLE), em situação de formação de professores ou não, carece de muitas reflexões, pois em muito precisamos avançar. É provável que nossos passos lentos decorram da própria constatação de que também é necessário ver a língua portuguesa falada no Brasil como uma língua estrangeira (LEURQUIN, 2013). Certamente apenas com base em constatação dessa ordem; em investimento no material utilizado em sala de aula; em uma proposta de formação de professores para atuar na sala de aula de PLE, e em demais questões, já levantadas por pesquisadores brasileiros ao longo dos muitos anos de estudo, que a política de internacionalização da língua portuguesa no nosso país pode ser levada a sério.

Para este artigo, nosso objetivo é apresentar, através de dados de pesquisas realizadas na Universidade Federal do Ceará, em projetos desenvolvidos e em desenvolvimento, a trajetória da implementação do PLE nessa instituição. As pesquisas aqui mencionadas acontecem no âmbito do Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada (GEPLA) e do Grupo de Estudos Política de Internacionalização da Língua Portuguesa (PLIP), todas financiadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FUNCAP). No nível de graduação, temos os trabalhos desenvolvidos na Iniciação Científica; no nível de pós-graduação, temos pesquisas realizadas em estágios de pós-doutorado, Plantin, 2011-2012, e Leurquin, 2012-2013, doutorado e mestrado (ver Quadro 1 e Quadro 2).

Nossas reflexões se pautam num contexto maior que endossará uma discussão muito abrangente a respeito da política de implementação de PLE em universidades brasileiras, e, dessa forma também problematizará a questão do seu espaço nessas instituições que, inclusive, são responsáveis pela formação de professor.

Em nossa instituição, ofertar a língua portuguesa aos estudantes estrangeiros que a ela chegam é uma prática que vem se realizando há muitos anos. Cada uma das propostas implementadas na instituição tem seu perfil a depender do coordenador do projeto. Essas propostas traduzem cooperações realizadas com instituições estrangeiras e isso vem, cada vez mais, permitindo a mobilidade acadêmica de muitos estudantes das universidades envolvidas, em nível de graduação e de pós-graduação.

A busca por universidades brasileiras se dá por muitas razões e muitos são os olhares sobre isso. É fato que o Brasil vem sendo muito procurado por estudantes estrangeiros. Há, por exemplo, informações básicas constantes em sites de universidades americanas que investem na propaganda de cooperação de universidades brasileiras com universidades americanas. Dentro dessa demanda e real interesse pelo Brasil, cresce então o interesse pela língua portuguesa falada no Brasil.

Encontrar as origens e percorrer em suas trilhas demandou uma pesquisa cuidadosa para que tivéssemos acesso a documentos e artigos publicados. Foi necessário também aplicar questionários, manter correspondências e realizar algumas entrevistas com os envolvidos na história do PLE na UFC. Para garantir tal propósito, a coleta dos dados teve a duração de um semestre de intensa pesquisa, com os diferentes agentes. A seguir faremos um percurso breve e objetivo que dividimos em três fases constitutivas da história do PLE na UFC. O norte do nosso percurso tem como referência os cursos desenvolvidos. Começaremos pelo curso proposto pelo Departamento de Letras Estrangeira; depois pelo curso proposto pelo Departamento de Letras Vernáculas; e, por fim, pelo curso proposto pela Casa de Cultura portuguesa.

A fim de melhor apresentar as trilhas do PLE, organizamos um diagrama que segue. Em sua parte superior, mostramos a origem das iniciativas de ensino de português para estrangeiros e na parte inferior, apresentamos os cursos realizados e em realização. Cada etapa será retomada durante o percurso deste artigo. A primeira iniciativa é centrada nos alunos de língua inglesa, devido ao fato de as coordenadoras serem professoras dessa língua; os Cursos oriundos do Departamento de Letras Vernáculas têm dois perfis: a primeira iniciativa atingiu alunos de língua alemã e a segunda, alunos, de qualquer nacionalidade, e a comunidade em geral. A última iniciativa apresentada oferta o curso de PLE na Casa de Cultura portuguesa e atende a alunos de todas as nacionalidades.  

A primeira iniciativa de implementação de PLE na UFC foi de responsabilidade de duas professoras do Departamento de Letras Estrangeiras. Esse trabalho tinha um planejamento com três etapas. A primeira era um curso (realizado por duas professoras do Departamento de Letras Estrangeiras, para estudantes americanos). Este Curso traduzia uma parceria com universidades americanas[1] e resultados das experiências foram apresentados em eventos da área. A segunda etapa seria a realização de uma pesquisa avaliativa dos métodos de ensino para o contexto de Português Língua Estrangeira (ALMEIDA e VASCONCELLOS, 2002). A terceira etapa estaria relacionada à elaboração e publicação de material didático que subsidiasse alunos e professores de PLE de maneira mais funcional. Apenas a primeira etapa foi realizada[2]. Segue, portanto o gráfico da trajetória já anunciada.

Gráfico 01 – As três fases de PLE na UFC

Ao resgatar o percurso das tentativas de implementação de PLE na UFC, constatamos que todas as propostas decorrem de um projeto de extensão e que não existe documentação que nos permita melhor compreender as concepções que subjazem ao agir professoral. Todavia, há registro em publicações feitas sobre essa experiência que nos ajudaram. Por esse motivo trataremos melhor desse quesito quando focalizaremos os dois últimos cursos.

Portanto, uma vez mostradas as etapas do PLE em nossa universidade, passamos a tratar de cada uma dela.

O curso de PLE: a proposta do Departamento de Letras Estrangeiras

O Departamento de Letras Estrangeiras foi pioneiro no ensino de PLE, porque uma professora deste departamento atuou como leitora, na Universidade do Tenenesse, nos Estados Unidos e ao retornar as suas atividades docentes, ela propôs um curso de verão na UFC para estudantes americanos de graduação[3].

Além das aulas, estava prevista a ida de professores e alunos para universidades no exterior e a vinda de alunos e professora para a UFC. Em salas de aula de PLE, os professores brasileiros realizaram experiências americanas. Para participar do curso brasileiro, os alunos estrangeiros deveriam estar inscritos em um curso de graduação na universidade de origem. Não há registro do seu tempo de duração. De acordo com uma das professoras colaboradoras entrevistadas, o curso começou no início da década de 1980 e se prolongou até 2008 ou 2009, pouco depois de a coordenadora dele ter se aposentado. O não acesso à precisão desses dados decorre do fato de que o curso era de responsabilidade da professora-coordenadora e ela não deixou nenhum registro na instituição.

Quanto ao perfil dos estudantes, observamos certa homogeneidade[4] na medida em que todos eram de nacionalidade americana. No entanto, não podemos falar em homogeneidade em relação à proficiência na língua alvo. Segundo Montenegro (1994), para tentar agrupar os estudantes com níveis próximos de capacidadeslinguísticas em língua portuguesa, os professores realizavam “um pré-teste compreendendo as habilidades de ouvir-ler-falar-escrever, a fim de poder agrupar os estudantes da maneira mais homogênea possível e verificar o estado de competência comunicativa em língua portuguesa de cada estudante”.  Havia no grupo, portanto, estudantes com diferentes níveis; alguns nada falavam nesse idioma e outros já haviam desenvolvido um bom nível de conhecimento da língua portuguesa, dessa forma os estudantes eram divididos em níveis de acordo com suas capacidades linguísticas em língua portuguesa.

Os cursos de verão tinha o mesmo formato do curso americano. Sua duração era de seis semanas de intensa atividade no curso e de tarefas extras sala de aula, com o objetivo de propiciar situações em que os estudantes pudessem melhor conhecer a cultura brasileira, principalmente, a cultura cearense. Eles estavam em uma situação de total imersão. Ficavam hospedados em casa de família, principalmente para manter um contato mais direto com a língua em situações reais de uso. Isso é relatado por Almeida e Vasconcellos (2002)

“Na deçada de 80, surgem,  através do empenho e interesse da Professora Odirene Almeida pela área os elementos vitais para a institucionalização do primeiro Programa de Ensino de PE  na UFC. Com o apoio do então reitor da UFC, Prof. José Esmeraldo Anchieta, e demais professores do Departamento de Línguas Estrangeiras, dentre eles Ignácio Montenegro, Aurineide Penha, Marcus Dodt e Tereza Bezerra, o programa College Semester Abroad - CSA, um empreendimento da School for International Training - SIT, da Universidade de Vermont (1985 - 1992) foi trazido à UFC através de seu dirigente no Brasil e o Prof. Cláudio Pereira, naquela ocasião, representante local do Experimento INTERNACIONAL LIVING ABROAD, da mesma escola.  As negociações resultaram na assinatura oficial de um acordo entre a Reitoria da UFC (através de sua Coordenadoria de Assuntos Internacionais) e a School for International Training - University of Vermont,  Brattleboro, VT. O programa foi então transferido de sua base original em São Paulo para Fortaleza. Ele acontecia duas vezes por ano (em janeiro e setembro) e os estudantes eram hospedados por famílias voluntárias, contactadas pela Coordenadora do Programa e do representante local do Experimento for Internacional Living.

Havia um acordo entre universidades americanas e a UFC que consistia na ida de professores brasileiros para universidades americanas desenvolver atividades de ensino e aprendizagem de português. Esses professores, a maioria, pertenciam ao Departamento de Letras estrangeiras – DLE, mas havia também professores do Departamento de Letras Vernáculas[5].

Segundo professoras colaboradoras do projeto, a finalidade principal dele era oferecer ao estudante de PLE americanos a oportunidade de desenvolver sua proficiência na língua portuguesa em ambiente de total imersão e descontração, vivendo a cultura e o povo brasileiro. Em segundo lugar, os estudantes deveriam, com o curso,  cumprir os requerimentos formais de complementação de créditos e estudos em línguas estrangeiras determinados por suas universidades. Além disso, dependendo da universidade de origem desses estudantes, eles poderiam se engajar em estágios não-remunerados[6], em atividades voluntárias extensionistas e em atividades de pesquisas.  Nestes contextos, alguns estudantes realizaram atividades relacionadas à antropología, à sociologia entre outras áreas de interesse. No tocante à metodología do curso, constatamos que eles receberam influencia de várias abordagens de ensino de uma língua estrangeira. Ao tratar dessa questão, Almeida e Vasconcellos (2012) afirmaram que: 

A metodologia de ensino adotada pelo programa da UFC, assim como no ensino de línguas estrangeiras em geral, já viveu sua fase "audiolingualista" e sua flexibilidade quase que inevitável para se adotar métodos mais heterogêneos, o que ensejou também a adoção das chamadas práticas baseadas em “abordagens científicas modernas” que significavam a aplicação do suporte teórico das  descrições linguísticas no planejamento de cursos e materias. (grifos das autoras)

E continuam

Como herança do que prevalecia nas décadas de 70 e 80, o ensino de PSL da UFC também utilizou métodos oriundos de abordagem centrada na forma "linguística", consolidada na prática de padrões ao estilo behaviorista e acrescida no final de materiais e procedimentos contendo nomeclatura “nocional-funcional”. Os conceitos de “comunicação” e “competência comunicativa” do início dos anos 90 abriram, logo em seguida, tanto no nível teórico quanto no prático, novas possibilidades de compreensão dos processos interdependentes de aprender e ensinar línguas.  Nesse sentido, a visão contemporânea de ensino de PLE da UFC revelou nesse momento uma preocupação maior com o próprio aluno como sujeito ou agente do processo de formação através da nossa língua e cultura. Isso significou diminuir a ênfase no ensino, na forma, no ensino da forma e aumentar a ênfase naquilo que faz sentido profundo ao aluno e naquilo que o faz crescer como pessoa.

Percebemos que esse espaço, embora não tenha deixado muitas pistas no âmbito da pesquisa[7], se configurou também como espaço de formação e de reflexão para os professores de línguas, revelando assim o papel assumido pela UFC nessa área do conhecimento.

A metodologia utilizada era flexível e ajustável aos objetivos gerais das propostas de cada universidade.[8] Ao observar o “programa de curso”[9] de português organizado para o verão de 2005 para estudantes da University of Arizona,constatamos a seleção de conteúdos  e habilidades a serem focalizadas em cada semana e nas aulas. Vimos que havia no cronograma aulas intituladas de gramática, conversação, Música Popular Brasileira, Leitura e Produção de texto, Cinema Brasileiro e discussão de Contos. O curso teve a duração de mais de uma década sob a responsabilidade do Departamento de Letras Estrangeiras. Ele teve a sua continuidade no Departamento de Letras Vernáculas sob a coordenação do professor Alber Uchôa e, desde 2012, é coordenado pelas professoras Eulália Leurquin e Rosemeire Plantin, com objetivos e formato diferentes.

Curso de Português para Estrangeiros: as propostas do Departamento de Letras Vernáculas

Há três trabalham que endossam a iniciativa de implementação de PLE na UFC geridas pelo Departamento de Letras Vernáculas. A primeira decorreu imediatamente pela extinção do curso de PLE no Departamento de Letras Estrangeiras. A segunda acontece desde 2012 pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada (GEPLA), liderado pela professora Eulália Leurquin. A terceira teve inicio em 2013 e é realizada pelo Grupo de Estudos de Políticas Linguísticas para a Internacionalização do Português, liderado pela professora Rosemeire Platin. Os dois últimos projetos trabalham conjuntamente. Há alguns objetivos específicos que merecem destaques oriundos de cada proposta. Tais destaques serão dados no curso deste artigo.

a-      Uma continuidade do curso anterior?

No DLV, o primeiro curso foi coordenado pelo professor Alber Uchoa[10] e, como ele mesmo afirma, trabalhou com ênfase na fonologia, frase e sintaxe. Diferente do projeto anterior, pois atendia a estudantes de todas as nacionalidades e as aulas não eram cursos de verão. A sua ideia de ofertar um curso de PLE na UFC surgiu ao retornar, em 1986, da Alemanha, onde ele atuou como professor leitor na Universidade de Colônia. Neste curso havia uma colaboradora, a professora Teresa Bezerra[11] ,do Departamento de Letras Estrangeiras. Além dos dois professores acima referidos, participavam também estudantes bolsistas do curso de Letras que se encontrassem nos últimos semestres do curso de graduação. A professora Teresa Bezerra participou apenas de um período. Não há número exato de bolsistas que desempenhavam atividades no curso, mas dados das entrevistas realizadas apontam que haviam aproximadamente dez bolsistas, todos da graduação. O curso coordenado pelo professor Alber Uchoa era intitulado de Curso de português para Estrangeiros - CPE[12]. Ele era ofertado em duas modalidades[13]: um curso básico de português[14]  para  iniciantes e um curso de revisão em nível intermediário para um público que já tinha algumas capacidades em língua portuguesa.  O curso básico era destinado aos falantes de outras línguas que eram principiantes, ou seja, não tinham nenhum domínio de português. Esse curso básico de português para estrangeiro era ministrado em caráter intensivo com aulas de segunda a quinta com quatro aulas por dia, com duração de um semestre.

O Curso de português para estrangeiro – revisão em nível - intermediário , com 60 horas-aula divididas em dois módulos (04 horas semanais), tinha como objetivo geral levar estrangeiros que já se comunicavam em português, inclusive estudantes e professores vinculados à UFC, a melhorar seus desempenhos linguísticos, proporcionando-lhes também conhecimentos de civilização brasileira. O conteúdo abordava a gramática e também a pronúncia, numa perspectiva funcional, com base em leitura, conversação, produção de textos e exercícios para a fixação de padrões estruturais, tendo como tema principal a vida quotidiana no Brasil. Era ofertada, a cada semestre, pelo menos uma turma para 06 a 15 alunos.

O estudante estrangeiro deveria estar em situação de imersão no país, com o visto de estrangeiro regular no Brasil e que tencionasse adquirir ou melhorar suas habilidades linguísticas em português. Havia uma grande heterogeneidade quanto à nacionalidade[15] e ao nível de escolaridade[16]. O quesito que deveria ter um caráter mais ou menos homogêneo seria o grau de habilidade[17] em língua portuguesa.

Havia uma preocupação com o ensino de Gramática, léxico e pronúncia. Para o ensino desses conteúdos, os professores realizavam atividades de leitura, conversação, produção de textos e faziam exercícios para a aquisição de padrões úteis à interação competente em português brasileiro. De acordo com o coordenador do curso, o grande objetivo era a abordagem comunicativa da língua. Para ele, “não interessa a nomenclatura gramatical brasileira, mas a funcionalidade e uso da língua em situações reias de comunicação”.

O material didático utilizado o livro didático falar... Ler...escrever...português um curso para estrangeiros, nas turmas de principiantes e Português via Brasil utilizado para o nível intermediário. Esses livros serviam mais como um guia para os professores planejarem as aulas e terem um material didático propriamente dito que pudesse ser seguido pelos professores e alunos. Além desse material, também haviam as atividades produzidas pelo grupo de professores que compunham o projeto. Apesar de serem livros didáticos ancorados na abordagem comunicativa, segundo seus autores, possuem diálogos simples e incoerentes com a proposta anunciada na apresentação da obra.

Não há registros de quando se encerraram as atividades desse projeto. A conclusão dele se justifica por motivos acadêmicos principalmente por parte do professor coordenadorque alegou falta de apoio humano, de apoio pedagógico e de incentivos aos acadêmicos.

I-                   O curso oferecido pelo grupo de estudo GEPLA[18]

O Grupo de Estudos e Pesquisas em Linguística Aplicada (GEPLA) conta com sete pesquisadoras. É cadastrado no CNPq desde 2006. Cada uma tem sua equipe formada por seus orientandos, em torno, evidentemente, da pesquisa maior do orientador que acopla as pesquisas de seus orientandos. O Curso de Português Língua Estrangeira: língua e cultura brasileiras é um projeto de extensão da professora Eulália Leurquin e assumido por ela e por sua equipe. Esta equipe possui três grandes ações: o Curso de PLE, traduções de livros da área e o Fórum de Linguística Aplicada e ensino de Línguas (FLAEL).

No seu campo de atuação, a equipe investiga o ensino e aprendizagem em situação de formação de professores ou não. Por essa razão, são de seu interesse investigar o agir professoral, através da análise do discurso do professor na sala de aula e sobre ela; e o material didático utilizado. Para analisar o discurso do porfessor, ela se remete ao quadro teórico do Interacionismo sciodiscursivo (BRONCKART, 1999, 2008) para interpretação do agir professoral e para preparar as atividades de leitura e de produção textual; aos estudos da Interação verbal  proposto por Kerbrat-Orecchioni, para compreender a sala de aula e os papeis em interação, aos estudos de Vanulle (2011) e de Leurquin (2013) para entender os saberes mobilizados e aos estudos de Cicurel (2011) para compreender o repertório do professor e à cultura do aprender. É portanto com essas lentes, que podem ser alargadas a depender dos objetivos das pesquisas, que o objeto de investigação é visto.

 Mas, como diz Camões “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e assim acontece com a política de implementação do PLE na UFC. O curso de PLE é oferecido, semestralmente, pelo GEPLA, desde o primeiro semestre de 2012. Em sua origem, faziam parte dele uma doutoranda, professora com dupla licenciatura em Letras, com Mestrado na área de PLE; uma professora com licenciatura em Letras língua portuguesa, mestre e doutor em Linguística; e uma professora com licenciatura dupla, especialização em Francês Língua Estrangeira com mestrado e doutorado em Didática de línguas, pesquisadora na área de PLE, professora da instituição e coordenadora do projeto em questão. No quadro atual -2014- a equipe de docentes é constituída pela professora coordenadora do projeto, uma doutoranda (com pesquisa na área), uma mestranda (com pesquisa na área) e um professor de PLE. Além dessas três pessoas, contamos também com três alunas bolsistas voluntárias da graduação que dão suporte na preparação de material didático, acompanham as aulas durante o semestre letivo (retomaremos a essas questões) e participam das reuniões de preparação do material e análise das aulas.

O Curso de Português Língua Estrangeira: língua e cultura brasileiras é um espaço de ensino, de pesquisa e de extensão. Estão envolvidos nele mestrandos, doutorandos e alunos da graduação em Letras, como vimos. Funciona como um espaço de formação, pois tem estrategicamente atividades e leitura sobre temas tais quais: aquisição de língua estrangeira, produção de material didático e formação de professores). É um espaço de pesquisa, pois além de ministrar as aulas, preparamos o material didático (todos os encontros são filmados e posteriormente retomamos após as aula para analisar nosso trabalho) a coleta dos dados acontece na sala de aula e fora dela (com aplicação de questionários, entrevistas e sessões de autoconfrontações, instrução ao sócio e grupo focal). É um projeto de extensão, pois foi planejado e registrado na Pró-reitoria de extensão, assegurando que a UFC assuma seu papel na sociedade, propondo aula para os alunos estrangeiros que aqui chegam e também para a comunidade geral, em um percentual de vagas previamente estipulado.

O curso oferta os três níveis. A divisão é realizada com base no resultado da prova que todos os alunos fazem no primeiro dia de aula. Acontece nas salas de aula da Pós-graduação em Linguística pelo fato de ele ser uma atividade da Linha de Pesquisa Linguística Aplicada. O material utilizado é ofertado pelo Departamento de Letras Vernáculas (DLV). Seu público alvo é o estudante de mobilidade acadêmica[19] que está na UFC, geralmente, para estudar um semestre de seus cursos de graduação iniciados nos seus países de origem.

Durante o período de inscrição dos estrangeiros, é enviado para a Coordenadoria de Assuntos Internacionais[20] (CAI) o horário do curso. Os estudantes se matriculam na disciplina Tópicos de Português Língua Estrangeira, assegurando o seu vínculo no Departamento de Letras Vernáculas.  O estudante pode ficar até um ano[21] de intercâmbio de acordo com as normas da universidade e depois das negociações legais. Há a divulgação na página inicial da UFC sobre a oferta do curso e as exigências necessárias para realizar a inscrição. Antes das primeiras aulas a coordenadora reúne-se com os demais membros do grupo a fim de realizar um alinhamento geral e o teste de nivelamento. Esse teste acontece no primeiro dia de aula, através de uma entrevista oral e da produção de um texto escrito. Em seguida, o grupo analisa as produções orais e escritas desses estudantes e classifica–os em três níveis (básico, intermediário e avançado), de acordo com as capacidades de linguagem já adquiridas em português. A turma é constituída a partir do nivelamento em língua portuguesa. Dessa forma temos estudantes de diferentes nacionalidades.

O objetivo do curso  é ampliar as competências comunicativas nos alunos estrangeiros da UFC de forma que eles possam melhor interagir na sala de aula e fora dela. Focalizamos as quatro habilidades, a depender do nível da turma nós a enfatizamos. No nível um, trabalhamos a oralidade na compreensão e produção. No nível dois trabalhamos a oralidade e a compreensão escrita, no nível três trabalhamos todas as habilidades. A seleção dos alunos da comunidade acontece a partir dos mesmos critérios. O curso é organizado levando em conta as teorias de ensino e aprendizagem que utilizam os gêneros como instrumentos para ensino de línguas, com base na visão deste dentro do aporte teórico metodológico do Interacionismo Sócio Discursivo. Partimos do ensino de língua em uso, seguindo orientações bakhtiniano para quem a língua é adquirida nas interações verbais concretas e vivas e não apenas um sistema fechado e mobilizado por si mesma.

Hoje, também decorrente desse curso, o GEPLA  já conta com as seguintes  pesquisas concluída e em conclusão:  

Quadro 01 – pesquisas desenvolvidas pelo GEPLA na área de PLE

PESQUISADOR

TEMA

Gondim (Dissertação concluída em 2012)

Análise do material didático utilizado para o ensino de português para Estrangeiro

Sousa (Dissertação concluída em 2013)

O agir do professor no ensino de gramática em português para estrangeiros

Araújo (Tese em conclusão para 2014)

O trabalho do professor de português língua estrangeira: análise do agir no discurso

Celedônio (Dissertação em conclusão para 2014)

Os mecanismos de textualização em produções textuais em Português Língua Estrangeira

Leurquin (Estágio Sênior na França 2012 -2013) Sorbonne 3 Paris Nouvelle

O agir do professor de línguas em situação de formação de professores: ensino e aprendizagem e saberes docentes

Gondim (Tese em andamento em 2012-2016)

O processo de construção do material didático de português língua estrangeira em foco

Sousa (Tese em andamento para 2017)

O discurso do professor na realização da transposição didática para o ensino de gramática em sala de aula de português língua estrangeira.

Decorrentes de experiências do curso, as discussões no GEPLA são motivadas e publicadas em revistas e eventos da área. Decorrentes das atividades desenvolvidas no curso, é importante registrar as palestras proferidas sobre formação de professores de PLE, na Universidade de Bordeaux 3, em 2013, por Leurquin e as oficinas ofertadas na Associação Argentina de Professores de Português, ministradas por Gondim, em 2014, durante seu estágio de doutorado sanduíche.

No ano seguinte à origem de curso ofertado pelo GELPA, foi implementado outro sob a coordenação da professora Rosemeire Plantin, também do Departamento de Letras Vernáculas.

II-                O curso oferecido pelo grupo de pesquisa sobre Políticas Linguísticas pela Internacionalização da Língua Portuguesa (PLIP)

O curso oferecido pelo grupo de pesquisa PLIP é coordenado pela professora Rosemeire Plantin. Seu interesse surgiu a partir da experiência dela na França como leitora na université Sthendal, em Grenoble. Segundo ela, o interesse pelo ensino do português como língua não materna surgiu quando voltou ao Brasil criou o grupo de pesquisa PLIP  que tem por objetivos a internacionalização da língua portuguesa. Dentro desse projeto são desenvolvidas  atividades de pesquisa, de ensino e extensão. As pesquisas são desenvolvidas na pós-graduação com as orientações de dissertações e teses (ver quadro 02); as atividades de ensino estão voltadas relacionadas a disciplina Tópicos de Português para Estrangeiros ofertada na graduação; e em relação à extensão estão as atividades da oferta do curso de PLE. Assim, nesse projeto de pesquisa são desenvolvidas as seguintes ações: elaboração de dicionário de expressões idiomáticas, constituição de um glossário temático de termos chaves na área de ensino de PLE adicional, o curso de extensão e a pesquisa.

O grupo desenvolve ações em parceria com o grupo GEPLA e conta também com a colaboração dos graduandos que estão matriculados na disciplina Tópicos de Ensino de Português para estrangeiros. Esses estudantes, durante a disciplina, estudam sobre PLE, preparam aulas e material didático  e ministram as aulas.

O curso atende a comunidade externa que estão morando no Brasil em situação legal. No entanto, nos últimos dois anos, vem havendo uma procura por um público mais diferenciado formado por estudantes de mobilidade acadêmica. Dessa forma, os objetivos do curso são ajustados de acordo com os objetivos dos estudantes. Em sua proposta focaliza a cultura brasileira. Também atende aos alunos dos três níveis. Há aulas segunda e quarta ofertadas por um grupo (PLIP) e quinta e sexta por outro grupo (GEPLA). As coordenadoras fazem as inscrições dos alunos nas turmas, a depender do horário deles. Todo o processo de seleção é feito com as duas professoras. Há uma diferença na proposta dos cursos: o primeiro privilegia a cultura brasileira e o outro também trabalha a língua e os elementos linguístico-discursivos em interação, nas diversas formas de gêneros textuais.

A seguir mostramos as pesquisas já desenvolvidas e em desenvolvimento no grupo de pesquisa PLIP sobre o PLE.

Quadro 02 – Pesquisas desenvolvidas no grupo de pesquisa PLIP[22]

Pesquisador

Tema

 Carvalho ( Dissertação concluída em 2013)

As unidades fraseológicas no ensino de português língua estrangeira: os últimos serão os primeiros.

 Martins (Tese concluída em 2013)

 Estratégias de compreensão de expressões idiomáticas por falantes de português como língua não materna

 Silva (Tese em andamento)

Políticas linguísticas para o ensino de português para estrangeiros.

 Silva Neto (Mestrado em andamento )

 Português como língua de herança.

 Cardoso (Tese em andamento)

Influências da Interlíngua na aprendizagem do português como língua adicional.

III-             A proposta da Casa de Cultura Portuguesa[23]

 A terceira e última tentativa de implementação de PLE é da Casa de Cultura Portuguesa. Em 2011-2 ela ofertou um curso de português para estrangeiros, mas não teve êxito[24]. Em 2014,-2 retoma o projeto. Desta vez, atendendo gratuitamente a comunidade em geral. Foram abertas trinta vagas. Na primeira tentativa, o aluno deveria efetuar o pagamento da inscrição. As aulas têm foco na gramática tradicional. Trata-se de professores do nível médio de ensino. Não há registro do primeiro curso. O professor utilizou livro didático de PLE já existentes.

Retomando para continuar

Os dados obtidos em documentos da Coordenadoria de Assuntos Internacionais da Universidade Federal do Ceará mostram que o número de estudantes estrangeiros na UFC cresceu significativamente. No ano de 2005, estudaram nessa instituição UFC quatorze estudantes, entre eles nove alemães e cinco americanos. Em 2012, esse número passou para cem estudantes, de dez nacionalidades quando houve o maior número de estrangeiros no programa de mobilidade acadêmica dessa instituição.

O trajetória das tentativas de implementação de PLE na UFC soa como um eco que ouvimos nas universidades brasileiras. É preciso avançar e institucionalizar a situação sob pena de estarmos sempre à deriva. É impossível fugir dos questionamentos sobre qual é a proposta da UFC com relação à política de ensino e à aprendizagem de PLE, sobre o material didático viável para ensinar e aprender a língua portuguesa a estrangeiros, sobre a própria política de internacionalização da instituição. Ao repensar essa trajetória, constatamos a gangorra na oferta do curso e instabilidade no propósito da oferta.

É preciso investir na formação de professores para atuar na área; na ofertar regularmente o curso de PLE nos três níveis, pelo menos; na tentativa de garantir que a instituição se torne um centro aplicador do exame de proficiência Celpe – Bras. Isso traduz um projeto sólido de internacionalização da Universidade Federal do Ceará.

Percebemos que em todas as tentativas de implementação de PLE na UFC, os coordenadores primam pela excelência na qualidade do ensino. Todos pensam na formação do professor, no tipo de material didático, mesmo utilizando LD produzidos para esse fim, todos pensam em complementar e mais ousadamente elaborar seus próprios materiais que atinjam os objetivos do curso, dos professores e dos alunos como uma forma de manter as representações que cada um dos sujeitos actantes compartilhem seus conhecimentos.

Constatamos que, embora todas as três tentativas realizadas tenham acontecido na UFC, não há uma ligação explicita entre elas, apesar de indiretamente estarem relacionadas. Vários foram os encaminhamentos teórico e metodológico adotados nesse período pelos três cursos, cada um atrelado, provavelmente as teorias linguísticas em voga em cada período, que atendessem aos interesses desses estudantes e dos proponentes. O desenho de cada curso pelo que vemos diz muito sobre a formação e a filiação de cada um dos professores em relação a uma determinada corrente teórica. No final esses cursos se sustentam e convergem para um objetivo maior e mais amplo o de inserir a UFC na promoção e na internacionalização da língua portuguesa.

Bibliografia

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  • MONTENEGRO, I. Curso intensivo de português para estudantes norte-americanos: abordagem e metodologia. In: CUNHA, M. J. & SANTOS, P. (org.)  Ensino e Pesquisa em Português para Estrangeiros – Programa de Ensino e Pesquisa em Português para Falantes de Outras Línguas (PEPPFOL)Brasília: Edunb, 1999.
  • SCHNEUWLY, B. & DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola. Tradução e organização Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. Campinas/SP: Mercado de Letras, 2004.
  • STERN, H.H. Fundamental concepts of language learning. Oxford: OUP, 1987.                                                                                                                                

 



[1]
  O trabalho foi apresentado na 55º Kentucky Foreign Language Conference – University of Kentucky – Lexington, KY – USA em 2002.

[2]Essa afirmação tem base na inexistência de publicações científicas que comprovariam a execução das duas últimas fases propostas pelas pesquisadoras e também pelo fato de em nenhum momento elas se reportarem a ele em suas entrevistas e conversas espontâneas.  Seria uma forma de divulgar e contribuir dessa forma para essa área de estudo dentro da linguística aplicada.

[3] As informações contidas nesse artigo sobre o curso coordenado pela professora Odirene Almeidaforam coletadas nas entrevistas realizadas com professores colaboradores, ministrando aulas (Ignácio Monteiro e  Manolisa Vasconcellos, do DLE da UFC); no artigo publicado pelas professoras Manolisa Vasconcellos e pela professora Claudiana Almeida, da CCB da UFC, na 55th  KENTUCKY FOREIGN LANGUAGE CONFERENCE UNIVERSITY OF KENTUCKY – LEXINGTON, KY –USA APRIL 18 – 20, 2002foi o texto de Ignácio Montenegro, referendado na bibliografía.

[3]A professora Odirene não deu retorno positivo ao encontro marcado.

[4]Embora segundo a Professora Odirene Almeidana entrevista concedida a nós poucas vezes tinha estudantes, geralmente, mexicano que estudava em uma universidade americana, mas a maior parte eram americanos.

[5] Importante destacar nesse ponto a participação do professor Alber Uchoa, ministrando aulas.

[6] Como é o caso dos estudantes de Engenharia da UIL e de Agronomia da UNM.

[7]Esse texto foi disponibilizado pelas colaboradoras do curso.

[8]Segundo Almeida e Vasconcellos (2002) algumas questões de preparação e organização do curso como a carga-horária e o conteúdo gramátical e funcional do curso determinadas pela orientação da universidade de origem.

[9]No material impresso ao qual tivemos acesso está denominado como programa de curso, mas na verdade trata-se de um cronograma do curso.

[10]  Além da entrevista realizada com o professor, ele nos disponibilizou alguns materiais impressos, como relatórios, programas dos cursos e materiais didáticos utilizados pelos professores.

[11]A professora Teresa Bezerra e o professor Alber Uchoa ministraram aulas no primeiro curso.   Este não era registrado na Pró reitoria de extensão – segundo a professora colaboradora Manolisa, enquanto o segundo era registrado na pro reitoria de extensão.

[12]Nomenclatura retirada do relatório anual de atividades do curso de CPE referentes ao ano de 2004.

[13] O professor sugere que houvesse um outro nível mais avançado, mas não disponibiliza informações mais relevantes sobre essa modalidade.

[14]Sobre essa modalidade/ nível do curso,  não temos muitas informações, pois ainda não tivemos acesso a nenhum dos relatórios desse nível e por haver um certo tempo de realização e termino das atividades desse curso, o professor Alber Uchoa não dispõe de muitas informações além das oficiais.

[15]As nacionalidades mais recorrentes eram a alemã devido ao convênio entre a UFC e a Universidade de Colônia, franceses, italianos, espanhóis, mas havia alunos de outros países com menor número de participantes.

[16]Utilizamos a terminologia utilizada por Stern (1972)  para quem língua materna é a língua adquirida na infância no seio da vida familiar.

[17]Para aferir o nível de habilidade com a língua portuguesa, eram realizados testes orais e escritos. Em relação a metodologia desse teste não tivemos acesso.

[18] Grupo de Estudo e Pesquisa em Linguística Aplicada, coordenado pela professora doutora Eulália Leurquin.

[19]A mobilidade acadêmica é o processo que possibilita ao discente matriculado em uma IES estudar em outra e, após a conclusão dos estudos, a emissão de atestado de comprovante de estudos, registro em sua instituição de origem. Informação disponível em: http://www.cai.ufc.br/mobilidade.htm.

[20]É o órgão oficial da UFC que cuida dos trâmites legais de assuntos ligados aos estrangeiros que chegam ao Brasil para estudar.

[21]  De acordo com as informações exibidas no site dessa  instituição e do CAI.

[22]As informações contidas nesse quadro foram coletas do Lattes da professora Rosemeire.

[23]A CCP foi criada em 1965 através de Resolução do Conselho Universitário para funcionar vinculada à Faculdade de Letras, existente naquela época, e estabelecer o intercâmbio cultural com Portugal. No ano de 1992, a CCP passa por algumas modificações com a chegada dos professores do ensino fundamental e do ensino médio (antigos 1º e 2º graus), pois ela perde seu vínculo com o Departamento de Literatura, ficando anexada, definitivamente, a Coordenação Geral das Casas de Cultura Estrangeira. O Curso de Português da CCP é composto de 240 horas/aula distribuídas em 4 semestres letivos e seu foco programático é direcionado às relações que se estabelecem entre as palavras e os conectivos, entre estes e as frases que formam o parágrafo e entre os parágrafos que forma o texto. Assim, o estudo da gramática passará a ser uma estratégia para a compreensão, a interpretação e a produção de textos coerentes e coesivos (sic) . Ao final de seu curso, o aluno da CCP é capaz de ler e produzir textos com coerência e precisão na língua Portuguesa.

[24]Todas as informações disponibilizadas nesse tópico foram concedidas pela professora Heloisa Calazans coordenadora e professora da CCP.

 

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