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Políticas Linguística e Externa Chinesa: um breve panorama do Ensino de LES E do PLE na China Imprimir E-mail
Escrito por Julio Reis JATOBÁ - Univ. de Estudos Estrangeiros de Cantão - GDUFS   

Resumo:

O presente artigo apresenta um panorama da situação do ensino de línguas estrangeiras (LEs) na China e examina algumas das políticas linguísticas adotadas no país. Inicialmente, faremos um breve histórico do ensino de línguas estrangeiras na China desde 1911 para, em seguida, examinar como o ensino de LEs é adotado nos ensinos primário, secundário e terciário. Feitas estas considerações, passaremos a analisar a LP como graduação na China bem como o crescimento do mercado para falantes de LP para, por fim, analisarmos e refletirmos como as LEs e o acesso ao ensino destas LEs têm sido tratadas nas políticas linguísticas e na política externa adotada pela China.

Palavras-chave: Políticas Linguísticas para Educação de LE. PLE na China. Política Externa Chinesa. China.

Abstract:

Thispaper presents an overview of the situation of foreign language teaching in China and examines some of the language policies adopted in the country. Initially, we will present a brief history of foreign language teaching in China since 1911 to then examine how the teaching of foreign language is adopted in the primary, secondary and tertiary education. After these considerations, we will analyze the Portuguese language as a bachelor degree in China and the growth of the market for Portuguese speakers to finally analyze and reflect how foreign language education have been dealt with in language policies and politics foreign policies adopted by China.

Keywords: Foreign Language Education Policies. Portuguese as Foreign Language in China. Chinese Foreign Police. China.

 

1. Introdução

O ensino de línguas (LM, L2 e LE) na República Popular da China (China[1]) tem causado um forte impacto educacional e social desde a formação (1949). A decisão do putonghua[2] como única língua oficial (1956) trouxe a contingência da resolução do acesso à literacia e à problemática de definição e mapeamento da diversidade linguística na China. Desde a formação da China pós-imperial (1911/1912), políticas linguísticas tiveram de ser criadas para atender sobretudo a três grandes questões: a estandardização do mandarim como língua padrão, a promoção do inglês como principal LE e o tratamento dado às línguas minoritárias.

Desta maneira, para compreendermos melhor o ambiente em que se dá algumas das políticas que regem o ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras (LEs) na China, é importante, antes de mais nada, analisarmos o histórico do ensino de LEs e como o governo central tem definido as políticas linguísticas do país. Neste intuito, e para alcançarmos o objetivo deste artigo, faz-se necessário inteirar-nos sobre histórico do ensino de LE nos séculos XX e XXI para podermos refletir melhor sobre como a política externa adotada pela China e as políticas linguísticas para o ensino de línguas na China contribuem para a vertiginosa expansão do ensino universitário do PLE no território chinês.           

2.      Breve histórico do ensino de línguas na China

Desde a fundação da República da China em 1912 até à vitória dos comunistas em 1949, o ensino de línguas estrangeiras na China é caracterizado por uma descontinuidade (ROSS, 1992 apud XIAYU, 2012). Em 1914, o inglês foi declarado pelo Ministério da Educação chinês como a língua mais importante na maioria das regiões da China, mas a instabilidade política em que a China estava imersa neste período não contribuiu para o desenvolvimento de políticas consistentes e efetivas para o ensino de inglês ou outras LEs. Porém, apesar de nos interessar nesta pesquisa a China moderna, é interessante notar que as raízes do ensino de línguas estrangeiras na China – no caso o inglês – tiveram seus primeiros passos no período compreendido no fim da dinastia Qing (meados de 1800 até 1911), cujo tratamento dado pelo império às LEs era que “línguas deveriam ser ensinadas dissociadas de quaisquer implicações culturais e ideológicas, sobre o patrocínio e estrita supervisão do Estado”[3] (LIN, 2011:256).

Nesta época, o status do ensino de LE estava associado ao utilitarismo do ensino do inglês, sendo a diretriz oficial do governo conhecimentos chineses como a base e conhecimento ocidental para a utilidade (中学为体、西学为用) (Cf. LIN, 2011:256). A fase final da dinastia Qing foi marcada por relações diplomáticas mais institucionalizadas entre a China e o Ocidente, pois com os acontecimentos passados no século XIX e para integrar-se e adaptar-se à nova ordem mundial, a China viu-se obrigada a revisar suas visões “Sino-centric, Geographical Self-centrednesse Civilizational Self-centredness”(ZHANG & XU, 2007:412),cuja política para assuntos estrangeiros foi um indicativo de mudança nas ideias e valores tradicionais da Dinastia Qing e deu um grande ímpeto para a revisão na política xenofóbica da dinastia (ibid:427).

Apesar de na dinastia Qing já haver um posicionamento do governo para o ensino de línguas, foi apenas após a fundação da República Popular da China, em 1949, que políticas específicas para as LEs e línguas minoritárias tiveram de ser mais explícitas para se alinharem à proposta ideológica do novo governo chinês. No começo da década de 50, e por questões que concernem à ideologia proposta pela revolução, o russo passou a ter um grande destaque na educação chinesa, tornando-se a LE mais importante, posto até então historicamente ocupado pelo inglês.

Porém, ao passo que os chineses viam-se insatisfeitos com o tratamento que a Rússia dava à China, o inglês voltou a ocupar espaço de destaque no ensino de LEs e teve um crescimento em importância estratégica (FU, 1986; MAO & MIN, 2004; LAM, 2005), pois “o sonho de achar um aliado na União Soviética foi despedaçado pela União Soviética não ter tratado a China como igual e não ter fornecido ajuda como havia prometido”[4] (LYNCH, 1998:115).

Assim, no final dos anos 50 e começo dos 60 do século XX, a China começou a pensar no ensino do inglês como uma possibilidade de participar mais ativamente do cenário mundial e promover o desenvolvimento interno, o que se alinhava também a proposta de aproximar-se ao Ocidente. Porém, quando a China parecia mostrar-se pronta para estabelecer laços com o Ocidente, os eventos desencadeados na segunda metade da década de 60 culminaram na Revolução Cultural, um período lastimável da China moderna (LAM, 2005:3).

O período da Revolução Cultural (RC), 1966 a 1976, foi um momento extremamente negativo para a educação, não sendoum tempo propício para nada estrangeiro, especialmente línguas estrangeiras (MAGNER, 1974:385). Este período da história chinesa foi caracterizado pela perseguição aos intelectuais e burgueses e por um forte sentimento nacionalista e, consequentemente, xenofóbico. Esta xenofobia estendeu-se, inclusive, ao ensino de línguas estrangeiras. Nesta época, a ideologia estatal manifestava-se, dentre vários subterfúgios, por meio da difusão de slogans anti-língua estrangeiras, como, por exemplo, “é possívelfazer a revolução, mesmo sem aprender ABC”[5].

Sobre a situação do ensino durante a RC, de acordo com Lam (2005:6), o maior impacto que a RC teve na educação foi sentida na educação superior, na qual pesquisas foram desencorajadas e universidades foram fechadas. Mao Zedong apostou na reeducação dos estudantes para formar novos revolucionários a serviço da RC e tal estratégia causou uma enorme desestabilização na hierarquia educacional e social, pois os estudantes poderiam derrubar seus professores e outras pessoas no poder através de suas denúncias e críticas (Idem:3). Moffett & College (1983:13) nos descrevem o sombrio ambiente escolar durante a revolução cultural:

As instalaçõesfísicas das escolas e universidades já não estavam adequadamente mantidas, alguns edifícios foram convertidos em prisões para os "contra-revolucionários. Livros, instrumentos e equipamentos foram brutalmente destruídos. Pesquisas foram paralisadas. Formação de professoresde língua estrangeira, juntamente com a de muitas outras disciplinas, foram abolidas.[6]

Porém, na segunda metade da RC, entre 1971 e 1972, com as novas diretrizes tomadas pelo comitê do Partido Comunista Chinês, o rumo da situação do ensino de línguas estrangeiras começou a sair do caos e das ruínas (MAO & MIN, 2004:324), sendo alguns institutos de línguas estrangeiras reabertos e autorizados a abrir novas turmas e matricular novos estudantes. Porém, os anos de retrocesso no ensino de línguas estrangeiras na China só tiveram seu fim em 1976, ano marcado pela morte de Mao Zedong e pelo fim da RC.

Com o fim da RC, deu-se início ao período da Política de Reforma e Abertura da China (Open Door Policy), dando ao ensino de línguas uma nova esperança e impulso. Com o retorno do Exame Nacional de Admissão ao Ensino Superior em 1977, amaioria das universidades retomaram efetivamente suas atividades em 1978 e, neste mesmo ínterim, Deng Xiaoping anunciou as 4 bases para a modernização da China (Agricultura, Indústria, Defesa Nacional e Ciência e Tecnologia).

A fim de modernizar o sistema educacional e retomar os laços de cooperação internacional, especialistas estrangeiros foram convidados para a China e estudantes e professores foram enviados para universidades estrangeiras. É interessante notar que, apesardas experiências traumáticas da Revolução Cultural e outros movimentos políticos com os elementos anti-ocidentais, os chineses adotaram, com dedicação, o estudo do inglês – e outras LEs – nas últimas décadas. (cf. ADAMSON, 2004; XIA, 2012).

Ross (1992) argumenta que o ensino de LE na China moderna tem sido marcado por uma descontinuidade, mas o que percebemos através dos eventos históricos do século passado é que desde a fundação da República Popular da China (1949) tem havido um crescente esforço para a implementação do ensino de LE na China. Esta descontinuidade no ensino de LE na China refere-se, sobretudo, à lacuna criada pelos anos da RC. Assim, podemos dividir o ensino de LE na China moderna em 3 grandes períodos (antes, durante e depois da RC) e, apesar das especificidades concernentes a cada um destes períodos, o que notamos é que apenas durante a RC não houve desenvolvimento e fomento à promoção de LEs na China.

Tabela 1 – Fases para o ensino de LEs na República Popular da China

Período Histórico

Fase do ensino de Língua Estrangeira

Anos

Antes da Revolução Cultural

1.      Promoção do russo em relação ao inglês

2.      Movimento de retorno ao inglês

Começo dos anos 1950

1957-1965

Durante a Revolução Cultural

3.      Repúdio ao ensino/aprendizagem de LEs

4.      Inglês para renovar laços com o Ocidente

1966-1970

1971-1976

Depois da Revolução Cultural

5.      Inglês para modernização

6.      Inglês para status internacional

1977-1990

Desde1991

Fonte: Adaptado de Lam (2005:73)

Além de levar em conta o histórico do ensino de LEs na China é importante percebemos o ambiente linguístico interno da China, pois como ressalta Lam (2005:18):

A nível individual, a experiência linguística dos alunos na China certamente não é linguisticamente discreta; cada aluno tende a ser exposto a mais de um idioma ou dialeto. Portanto, uma abordagem multilíngue é absolutamente essencial para uma apreciação das realidades do ensino de línguas na China.[7]

Feitas estas breves considerações sobre o histórico de ensino de línguas estrangeiras na China, passemos a tratar mais especificamente da atual situação do ensino de línguas estrangeiras na China.  

3.      LEs no sistema educacional chinês

3.1.      LE nos ensinos primário e secundário

O ensino primário chinês é caracterizado pelas 6 primeiras séries dos 9 anos da educação compulsória[8]. A educação compulsória na China é gratuita, sendo cobrada apenas uma espécie de taxa de administração escolar (学杂费xuezafei).

Segundo dados do Ministério da Educação Chinês[9], na fase da educação compulsória os alunos devem ter uma carga horária de estudo de línguas (nacional e estrangeira) equivalente a aproximadamente 30% da carga total, sendo entre 20~22% da carga horária escolar total para o putonghua, e entre 6 e 8% para o ensino de língua estrangeira.

Segundo o curriculum apresentado pelo Ministério da Educação Chinês[10], a disciplina de língua estrangeira deve começar a ser ensinada a partir do 3º ano do ensino primário, mas é cada vez mais comum as escolas começarem a ensinar LE[11] logo no primeiro ano do ensino primário ou até mesmo nas fases de pré-escola e jardim de infância. Isto se dá, entre outros motivos, pela pressão dos pais e como uma artimanha das escolas para “atrair” matrículas de fora[12].

O ensino secundário tem duração de 6 anos e é dividido em dois ciclos. O primeiro ciclo, designado chuzhong (初级中学– ensino secundário básico, em tradução literal), tem duração de três anos e é equivalente às três séries finais do ensino compulsório. O segundo ciclo, designado gaozhong (高级中学– ensino secundário superior, em tradução literal), tem três anos de duração. O primeiro ano é comum a todos os alunos, mas a partir do segundo ano os alunos devem escolher em que área vão seguir: like (理科, exatas) ou wenke (文科, humanidades).

É importante destacar que a escolha entre ciências exatas ou humanas tem grande peso na preparação do vestibular e há uma predileção dos alunos em escolherem as ciências exatas como curso principal durante a fase final do ensino secundário. Geralmente, a maioria dos alunos de graduação em LE foram alunos de humanidades durante o ensino médio.

Portanto, a experiência obrigatória em aprendizagem de LE durante os ensinos primário e secundário é de pelo menos 10 anos, sendo cada vez mais comum escolas que ofereçam 12 anos de ensino em LE. Além dos 12 anos compreendidos entre o ensino primário e secundário, é comum que os alunos tenham aprendido inglês durante o jardim de infância e pré-escola, o que pode totalizar 15/16 anos de ensino de LE antes de ingressarem na universidade.

3.2.            LE no ensino universitário

O ensino universitário de LE na China é bastante difundido e os alunos estão divididos em dois grandes grupos majoritários, a saber: i) alunos com alguma LE como graduação (com especialização em línguas) e ii) graduandos de outros cursos que tenham uma LE como disciplina obrigatória (no caso, o inglês) ou uma segunda LE optativa (não especialização em língua estrangeira).

3.3.      LE como disciplina obrigatória ou optativa

O ensino de inglês é obrigatório para os estudantes universitários e tem uma duração média de 2 semestres (com carga horária semanal de 160 minutos). Em alguns cursos de graduação, os alunos além de estudarem inglês como disciplina obrigatória podem, eventualmente, escolher uma outra LE, mas neste caso ela será considerada uma disciplina optativa.

Muitas universidades têm exigido o exame nacional de proficiência em inglês para universitários (CET) para liberar o diploma de algumas graduações. Além disso, vem crescendo o número de empresas que exigem para recém-formados comprovação de proficiência em inglês (CET4 ou CET6), mesmo que o trabalho não exija o uso de inglês. Para os alunos de inglês como graduação há exigência de um exame de proficiência específico (英语专业四级考试、八级考试, TEM-4, TEM-8)

3.4.      LE como graduação

As graduações em LE estrangeiras na China têm a duração média de 4 anos e, geralmente, os dois primeiros anos são dedicados ao ensino da chamada parte de conhecimentos básicos da língua (fonética, gramática, audição e conversação básica) e os dois últimos são dedicados às disciplinas específicas ou avançadas, tais como História e Cultura, Literatura, Redação Técnica, Redação Oficial, Tradução e Interpretação. Muitas graduações em língua estrangeira adotam o sistema 3+1, no qual os estudantes realizam três anos de estudos na China e um ano de intercâmbio acadêmico no país da língua-alvo.

Para os alunos graduandos em LE, a escolha de uma segunda língua estrangeira (二外erwai) é obrigatória. Em muitos casos, os alunos de algumas graduações em língua estrangeira podem habilitar-se para conseguir diploma em uma segunda língua, geralmente o inglês.

É interessante notar que a maioria das graduações em LE tem seu foco em formar profissionais de línguas para o mercado chinês, por isso, fora o caso do inglês, raros são os cursos que oferecem disciplinas de pedagogia e metodologia para ensino/aprendizagem de LE. Assim, grande parte dos professores de línguas a nível universitário não tiveram formação pedagógica para o ensino de línguas durante a graduação.

4.      Português como graduação universitária

Apesar da longa história das relações entre Portugal e China via Macau, o ensino e difusão da língua portuguesa na China ainda é considerado recente. A primeira graduação em língua portuguesa foi aberta no início dos anos 60 e até 2003 só havia 3 universidades na China a oferecer graduação em LP.

Após 2003, com a criação em Macau do Fórum para Cooperação Econômica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, com a ascensão do bloco do BRICs e com o aumento das trocas comerciais entre China e PLP, o português passou, em um espaço de 10 anos, a ser ensinado em mais de 20 universidades, sendo pelo menos, 14 como cursos de graduação[13].

Para entendermos melhor a situação da LP na China, descreveremos nos seguintes tópicos um breve histórico do ensino universitário de LP na China e as expectativas de emprego para os profissionais especializados em língua portuguesa no território chinês.

4.1.      Breve histórico do ensino universitário de LP na China

O ensino universitário de LP na China teve seu início em 1960 com a abertura do primeiro curso de licenciatura em Língua e Cultura Portuguesa no Instituto de Radiofusão de Pequim (atual Universidade de Comunicação da China). As origens do Instituto de Radiofusão de Pequim remonta o ano de 1959, pois a partir desta época o Partido Comunista Chinês (PCCh) começava a adotar uma política externa independente em relação ao Partido Comunista da União Soviética (PCUS). Tal desejo de uma política externa livre em relação à União Soviética deu-se, sobretudo, pelas latentes divergências entre o PCUS e PCCh e pela China não mostrar-se satisfeita com o tratamento que esperava receber da Rússia.

As divergências entre PCCh e PCUS tornaram-se abertas em 1960, quando ocorreu a retirada de especialistas e técnicos russos que trabalhavam na China; tal fato desencadeou uma emergente necessidade da China reforçar a formação de intérpretes e tradutores em outras línguas estrangeiras, pois até então a comunicação com os partidos comunistas de outros países era feita em sua maioria via intérpretes de russo, inglês ou espanhol (LI, 2012).

Por tais motivos, deu-se a necessidade de abrir um curso específico em língua portuguesa, pois, apesar de Brasil e Portugal não manterem relações diplomáticas com a China naquele momento, crescia a necessidade de contatos diretos entre o PCCh e os partidos comunistas do Brasil e Portugal. Além disso, a China mostrava-se interessada pelos países de “terceiro mundo” africanos. Sobre o interesse do governo chinês acerca dos países de LP, Li (2012:39), afirma:

Segundo a teoria de “três mundos” de Mao, Portugal pertence ao “segundo mundo”. Entretanto, um dos importantes trabalhos na política externa do governo chinês daquela altura era apoiar os países e povos oprimidos e explorados, e a maior parte dos países de expressão portuguesa eram países africanos que não obtiveram a independência; por isso, o primeiro curso de licenciatura em língua portuguesa foi estabelecido no IRB[14].

A segunda universidade a abrir um curso em português foi a Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim (UEEB), universidade que goza de fama na China por sua longa história e por formar importantes diplomatas. A UEEB, segundo a teoria dos três mundos de Mao Zedong, deveria ser responsável pelo ensino das línguas mais tradicionais do mundo, incluindo russo e inglês. O curso de português da UEEB foi aberto 1960, em princípio como um curso intensivo de LP, tornando-se uma graduação somente no ano de 1961.

Os primeiros anos da década de 60 foram muito importantes para a LP na China, porém na segunda metade da década de 60 deu-se a Revolução Cultural, sendo o IRB acusado de ser contrário à Revolução. Em tais circunstâncias, durante os primeiros anos da RC, os cursos do IRB e da UEEB foram suspensos, sendo o curso de LP da UEEB retomado em 1973, com o ingresso dos “melhores operários, camponeses e soldados” (LI, 2012) e o IRB retomou suas atividades somente em 2000.

Ao fim da Revolução Cultural, o governo chinês reestabeleceu o sistema de vestibular para ingresso no ensino superior e o UEEB passou a admitir novamente estudantes via vestibular. Em 1977, a Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, tradicional universidade no ensino de línguas estrangeiras, abriu sua graduação em LP.

Desde então, os contatos com os PLP têm sido cada vez mais constantes e após a retomada das relações diplomáticas com Brasil (1974) e Portugal (1979), a expansão do ensino de português na China tem aumentado progressivamente e vem sendo influenciado pelas trocas comerciais entre China e os PLP. Como veremos adiante, este crescimento é estimulado, principalmente, pelo grande interesse da China nos PALOPS e pela política chinesa de internacionalização de suas empresas públicas e privadas lançada em 2002, estratégia que vem sido referida como going global strategy (ALVES & SALDANHA, 2007:182-183).

Outro ponto importante para nossa análise refere-se ao crescimento da oferta de graduações em LP e sobre o mercado para falantes de língua portuguesa na China. Para isso, passaremos nas seguintes subseções a abordar este tema.

4.2.      Crescimento da oferta de PLE na China continental

Como vimos anteriormente, até 2003 só havia 3 cursos de LP superiores na China. Porém, o que vemos é que a LP tem tido um crescimento vertiginoso e esta procura é reflexo das políticas externas chinesas para os PLP, e o crescimento das trocas comerciais entre China e PLP, com destaque especial para as trocas comerciais entre Brasil e China e o interesse chinês nos PALOP.

Tabela 2 – Univ. e Inst. Sup. que oferecem graduação ou cursos optativos de LP

Ano de criação do curso em LP

Nome da Universidade ou Inst. Superior de Ensino

Total de cursos na China

1960

Univ. da Comunicação da China (antigo IRB)

1

1961

Univ. dos Estudos Estrangeiros de Pequim (antigo ILEB)

2

1977

Univ. dos Estudos Internacionais de Xangai

3

2005

Univ. dos Estudos Internacionais de Pequim

6

Univ. dos Estudos Estrangeiros de Tianjin

Univ. da Comunicação da China (Nanjing)

2006

Univ. Sun Yat-sen

7

2007

Univ. de Pequim

9

Univ. dos Estudos Internacionais de Xi’an

2008

Univ. de Estudos Estrangeiros de Cantão

 

13

Univ. dos Estudos Internacionais de Dalian

Univ. Normal de Harbin

Instituto Huaqiao das Línguas Estrangeiras de Jilin

2009

Hunan College of Foreign Studies

 

16

Shijiazhuang Vocational College of foreign lang. transl.

Univ. dos Negócios Internacionais (UIBE)

2011

Univ. de Língua e Cultura de Pequim (BLCU)

17

2012 / 2013

 

Jiangxi College of Foreign Studies

 

 

 

25

Univ. Jiaotong de Pequim

Univ. Jiaotong de Lanzhou

Univ. de Estudos Internacionais de Sichuan

Beijing City University

Hebei Institute of Communications

Hainan Foreign Lang. College of Professional Educ.

Univ. de Estudos Internacionais de Zhejiang

2014

Hebei Foreign Studies University

26

2015 (setembro)

Universidade Normal de Fujian (Fuzhou)

27

Obs:A Ocean University of China (Shangdong) anunciou que analisa a abertura de um cursode LP. 

Portanto, podemos observar que os cursos de LP tem crescido desde 2005 e, por esta busca de profissionais, os professores de LP dos novos cursos são em grande parte jovens e recém-formados e, provavelmente, graduados nas 3 primeiras universidades citadas na tabela 2. Das universidades citadas na tabela 2, apenas duas têm curso de mestrado em LP, a Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim e a Universidade de Estudos Estrangeiros de Xangai.

4.3.      Mercado para falantes de LP na China

Há uma demanda por profissionais especializados em língua portuguesa na China. Os alunos formados em LP na China têm uma vasta possibilidade de atuação profissional[15]. Dentre algumas possibilidades, os alunos trabalham em empresas estatais com atuação nos PLP, seguem carreira diplomática, trabalham como tradutores de empresas, são funcionários de bancos e empresas privadas com atuação nos PLP ou tornam-se professores. É destacável o crescente número de alunos dispostos a seguir os estudos de LP em programas de mestrado.

Por ainda existir uma demanda de profissionais especializados em LP, é comum que os recém-formados tenham mais facilidade em buscar emprego em relação aos alunos formados em outras línguas tradicionais, tais como o inglês e espanhol. Além disso, é comum que o salário inicial seja um pouco superior em relação a esses outros alunos. Porém, com a abertura crescente de novos cursos superiores de LP, cogita-se que a demanda de profissionais no mercado se estagnará ou, num quadro mais pessimista, decrescerá, diminuindo a aparente vantagem que os recém-formados em LP parecem ter sobre recém-formados em outras línguas estrangeiras.

5.      Políticas Linguísticas para LEs e Política Externa Chinesa

5.1.            Políticas Linguísticas para LEs

O ensino de línguas estrangeiras sempre esteve diretamente relacionado com os interesses da política externa chinesa e, apesar de nas últimas décadas o governo chinês salientar o ensino de LEs como parte essencial para a modernização e desenvolvimento da China, as decisões sobre as políticas linguísticas escapam aos interesses e necessidades de setores da sociedade como empresas, organizaçõese instituições com exigência de língua estrangeira para seus funcionários (LIN, 2011).

Lin (2011:248), a respeito das políticas para línguas estrangeiras na China (PLEC), argumenta que, apesar das PLEC não serem ainda profundamente estudadas, pode-se dizer que políticas linguísticas são um produto das ideologias do Estado, “e elas são informadas por uma interação do Estado com os vários atores acima e abaixo dos níveis do estado em um sistema-mundial moderno integrado”[16]. Ainda, para Lin (2011:246), este sistema-mundial moderno, baseando-se na perspectiva de Wallerstein (1974, 1989, 2004), tem como prioridade a acumulação de capital que, por sua vez, cria pontos de desequilíbrio e competição de forças no próprio Estado, produzindo uma hierarquia que se orienta e concentra do núcleo para a semiperiferia e periferias.Para Hu (2007:370), a viabilidade das políticas para LE na China tem sido posta em cheque, pois suas aplicações têm sido impostas sem quaisquer considerações sobre seus reais impactos nas escolas e alunos.

As ideologias do governo estariam, assim, refletidas na PLEC não somente como afirma Lin (2011:245):

 (...) uma maneira pela qual o Estado ganha consentimento, mantém a governança cultural e exerce hegemonia internamente, mas, também, mostra os traços da força combinada dos atores dominantes estando de cima como para baixo nos níveis do Estado.[17]

Essas ideologias implíticas tenderiam a ser percebidas como naturais (Fairclough, 1989), o que na perspectiva de Blommaert (2008) seria definido como “ideological hegemony”, ou para Bordieu (1991) o “symbolic power”, passando o discurso ideológico do governo chinês a ser percebido como não ideológico.

5.2.            Política Externa Chinesa

A partir de 2001, com a entrada na China na OMC e com uma maior atenção chinesa ao cenário mundial, a política externa do país passou a dar ainda mais importância e atenção ao ensino de línguas estrangeiras (HU, 2005; HU, 2007; LIN, 2011). Até então, o governo chinês dava atenção especial ao ensino da língua inglesa como uma das principais disciplinas do ensino secundário, ao lado de matemática e língua nacional. A ênfase dada ao inglês nas políticas chinesas para educação em LE era, segundo Lin (2011:260), percebida pela população com uma ausência de resistência ideológica corroborada pela percepção popular de que a ênfase dada ao ensino do inglês é benéfica e vantajosa, tanto a nível pessoal e individual como a nível nacional. Ou seja, como tratamos na subseção anterior, as ideologias do governo no que diz respeito LE passaram a serem percebidas como não ideológicas ou como “ideological hegemony” (BLOMMAERT, 2008).

Porém, recentemente o governo chinês tem demonstrado reconsiderar suas políticas para o ensino de LE e sinalizado por meio de suas recentes decisões e ações, a progressiva diminuição da ênfase dada ao inglês nos exames de admissão ao ensino superior. Contudo, isto não significa o enfraquecimento do status da língua inglesa na China; ao contrário, o inglês continua a ser um dos instrumentos que a China adota para promover sua internacionalização e globalizar-se, sendo, aos olhos do governo chinês, inquestionável a supremacia do inglês como língua global e língua internacional (Lin, 2011:260). Salientamos que fora os trabalhos de Hu (2007, 2008) e Feng (2009), ainda não há muitos estudos ou referências sobre esta aparente mudança de política linguística em relação ao inglês, mas em relação ao que essas tomadas de ações sugerem, o interesse do governo é justamente aprimorar o sistema de aferição de proficiência em língua inglesa.

No que toca o interesse da política externa chinesa por outras LEs, destacamos, dentre vários motivos, o interesse chinês em internacionalizar suas empresas públicas e privadas. Porém, além deste interesse comercial há também um interesse político da China em relação à expansão de influência diplomática através de seu soft power[18]. Este interesse de exercer influência política não é recente e remonta aos tempos da Guerra Fria, período no qual a China já demonstrava seu interesse político sobre a África. Este interesse faz parte da estratégia de posicionamento internacional da China, dando a África e países em desenvolvimento apoio e suporte para atuar internacionalmente como “o protetor dos interesses comuns dos países em desenvolvimento e como o agente de uma nova ordem econômica internacional mais justa”[19] (SALDANHA & ALVES, 2011:193).

Em relação aos PLP e PALOP, Saldanha & Alves (2011:191) observam que os interesses da China pelos PLP não se restringem apenas ao Brasil, um de seus maiores parceiros comerciais e PLP com o maior número de falantes de português, ou Portugal, uma porta para a China na União Europeia, mas, sim:

O que realmente importa, de fato, é que os PALOP e Timor Leste, apesar de suas pequenas populações e economias quebradas, representam um grande conjunto de recursos naturais a serem explorados desde a pesca, agricultura, silvicultura e turismo até o gás natural, carvão, mineração e petróleo.[20]

Como vemos, este interesse pelos PALOP não é meramente político-ideológico, mas um explícito interesse no aumento das trocas comerciais e pela busca de provedores de matérias primas. Com este propósito, a China vale-se de suas relações históricas com Portugal e tem feito de Macau o ambiente ideal para alcançar este objetivo. Neste aspecto, é altamente relevante a escolha de Macau para sediar o Fórum para Cooperação Econômica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa[21], criado em 2003 e realizado a cada 3 anos.

Ademais, com o retorno da soberania de Macau à China (1999), o governo central chinês tomou a iniciativa de aproveitar-se da identidade portuguesa de Macau para criar e desenvolver laços com os PLP e, assim, fomentar Macau como um canal especial e único para catalisar cooperações e investimentos entre PLP e China(ALVES & SALDANHA, 2007).

A ênfase dada a Macau como plataforma entre China e PLP tem refletido também no fomento à língua portuguesa, uma vez que Macau é membro efetivo e apoiante da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA), participa da Associação de Universidades de Língua Portuguesa (AULP), abriga o Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa (CPCLP) e, em 2003, solicitou status de observador da CPLP. Este último fato é extremamente curioso se levarmos em consideração que durante o domínio português, e apesar de muitos esforços, a China nunca permitiu Macau entrar na CPLP (ALVES & SALDANHA, 2007:190).

Enfim, servindo ao propósito da globalização e internacionalização da China, o governo central chinês tem feito esforços para –além do ensino de inglês a nível primário, secundário e terciário –fomentar o ensino universitário de outras línguas estrangeiras. A respeito disso, é notável o vertiginoso crescimento de instituição superiores de ensino que oferecem graduações ou cursos de português, ocorrendo justamente depois da entrada da China no WTO (2001) e do lançamento oficial em 2002 da política de internacionalização chinesa, referida como Going Global Strategy ouGo Out Policy (走出去战略zouchuqu zhanlue), e sua política de introdução de vantagens de outros países(引进来yinjinlai)[22].

6.      Considerações finais

Buscamos neste artigo examinar a situação geral do ensino de LEs na China. Para descrever a atual situação do ensino de LE, buscamos as raízes da educação de LE na China moderna a partir da fundação da China pós-imperial (1912). Apresentamos uma breve linha histórica desde a fundação da República Popular da China (1949), passando por momentos delicados como a Revolução Cultural, para que pudéssemos, em um segundo momento deste capítulo, apresentar como o ensino de LEs são tratadas nos ensinos primário, secundário e universitário.

Buscamos tratar especificamente sobre o histórico e crescimento do ensino da língua portuguesa na China. Pusemos nossa atenção ao crescimento vertiginoso da língua portuguesa para sustentarmos o argumento de que parte deste crescimento é fruto de uma estratégia da política externa chinesa.

Em resumo, conjecturamos que este crescimento da língua portuguesa na China é uma sinalização de dois desejos. O primeiro é o interesse da política externa chinesa para os PLP, com foco especial nos PALOP, na qual a China procura aliar seu soft power a um desejo de galgar uma posição de mais destaque e influência no cenário político internacional. Segundo, a China segue a tendência mundial de criação de blocos transnacionais multipolarizados baseados, sobretudo, no interesse no incremento de suas trocas comerciais e de ampliação de mercados consumidores.

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[1]
Apesar de reconhecermos a influência positiva de Macau (RAEM) na promoção da LP na China continental, este artigo foca-se estritamente em dados sobre o ensino de PLE e LEs na China Continental, portanto não será considerado o contexto de ensino e promoção da LP em Macau. Assim, ao referir-se à China, infere-se tratar-se exclusivamente da China Continental. China e China Continental são termos intercambiáveis neste artigo para República Popular da China.

[2] O putonghua (普通话, língua comum em tradução literal), conhecido também como mandarim, foi criado com a necessidade de unificação da China e sua sintaxe foi baseada nos dialetos do norte da China e seu sotaque de prestígio como o de Pequim.

[3]“languages were to be learnt divorced from any cultural and ideological implications, under state sponsorship and strict state supervision”

[4]“[t]he dream of finding an ally in the Soviet Union was soon shattered because the Soviet Union did not treat China as an equal and did not provide the aid in the manner as promised”

[5]Slogan original: “不学ABC,照样干革命”. Estudar o “ABC” é um termo que se refere ao ensino/aprendizagem de LE.

[6]“The physical facilities of schools and universities were no longer properly maintained, some buildings having been converted into prisons for the “counter-revolutionary’’ faculty. Books, instruments, and equipment were wantonly destroyed. Research came to a standstill. Foreign language teacher training, along with that in many other disciplines, was abolished.”

[7]At the individual level, the language experience of learners in China is certainly not linguistically discrete; each learner tends to be exposed to more than one language or mare than one dialect. Hence, a multilingual approach is quite essential for an appreciation of the realities of language education in China.

[8]Cf. Compulsory Education Law of the People’s Republic of China.

http://www.moe.gov.cn/publicfiles/business/htmlfiles/moe/moe_2803/200907/49979.html

[10] Idem.

[11]Atualmente o inglês, ainda que algumas escolas ofereçam outras línguas como opção.

[12]O ensino compulsório na China é gratuito, porém a matrícula dos alunos deve ser registrada em escolas que estejam no mesmo bairro/distrito do registro de habitação dos pais (hukou). Porém, é fato comum que as escolas em bairros/distritos mais desenvolvidos tenham uma melhor reputação e melhores condições de preparo para o exame nacional de admissão no ensino superior (gaokao). Assim, não residentes nesses distritos poderão, em alguns casos, e mediante o pagamento de uma taxa (门槛费ou 择校费), matricular-se nessas escolas, mesmo que não tenham obtido a nota mínima nos exames de admissão ou tenham um hukou fora da área de abrangência dessas escolas.

[13]Parte destes dados foram obtidos pelo site da Embaixada de Portugal em Pequim, disponível em

http://www.portugalembassychina.com/sections/cul_sec.php?lng=, acessado em 20/11/2013.

[14]Nota nossa. IRB, Instituto de Radiofusão de Pequim, na época era a universidade responsável por ensinar as línguas do “terceiro mundo”.

[15]De acordo com um breve levantamento sobre a empregabilidade de finalistas e recém graduandos de LP de 6 universidades da China (Li, 2014), há uma tendência para que salários iniciais de profissionais de LP sejam um pouco maiores que profissionais de outras línguas. Há ainda uma tendência para que alunos de Pequim ocupem os postos mais cobiçados (serviço público, diplomacia e grandes empresas multinacionais), ao passo que formados em outras localidades trabalhem em pequenas e médias empresas chinesas. 

[16]“and they are informed by the state’s interaction with various actors both above and below state levels in the integrated modern world-system”

[17]“(…) a way by which the state gains consent, maintains cultural governance, and exerts hegemony internally, but also shows the traces of the combined force of the dominant actors both from above to below state levels”.

[18]Termo cunhado por Joseph Nye (2004) para se referir, por exemplo, à estratégia político-económica em relação a outros países.

[19]“the protector of the common interests of developing countries and the agent of a new international economic order hopefully fairer”

[20]What does matter are, indeed, the African Portuguese speaking countries and East Timor, because despite their small population and broken economies, they do represent a large pool of under explored natural resources that goes from fisheries, agriculture, forestry and tourism to natural gas, coal, mining and oil.

[21]São membros do Fórum a China e 7 PLP. São Tomé e Príncipe, por manter relações diplomáticas com Taiwan, não é membro efetivo do Fórum.

[22]Yinjinlai(引进来) foi uma política lançada em conjunto à Going Global Strategy (走出去战略). Estes termos foram cunhados pelo ex-presidente Jiang Zeming em seu conjunto de políticas lançadas entre 1998 e 2004 para acelerar o crescimento econômico e tecnológico chinês. O termo Yinjinlaise refere à política de abertura para importação de tecnologias de ponta e especialistas estrangeiros, ao passo que o termo zouchuqu zhanlue significa, literalmente, estratégia de saída.  

 

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